quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Chuva alaga São Paulo e provoca nova manhã de caos



Werther Santana/AE


Chuva alaga São Paulo e provoca nova manhã de caos
Trechos das Marginais estão interditados e Ceagesp foi tomada pela água; homem morreu na zona oeste
Ricardo Valota, do estadao

Ponto de alagamento na Marginal Tietê depois da ponte do Piqueri, no sentido Castello BrancoSÃO PAULO - A forte chuva que atingiu a cidade de São Paulo durante a madrugada desta quinta-feira, 21, voltou a deixar vítimas e levar caos ao transporte urbano. Um aposentado morreu soterrado na Pompeia, após um deslizamento de terra, e as Marginais e outras avenidas importantes foram fechadas. Há 52 trechos alagados em toda a cidade e 88 km de congestionamentos.

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Com o transbordamento do rio Tietê, a água também invadiu o pátio da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na Vila Leopoldina, e tomou conta de praticamente toda a área da gigantesca rede de armazéns. No setor das frutas chega a quase um metro de altura, segundo os donos dos boxes daquele setor.

Pelo menos três córregos transbordaram: Jaguaré (zona oeste), Ipiranga (sudeste) e Morro do "S" e Pirajuçara (sudoeste), colocando estas regiões em estado de alerta. Na região do Butantã, algumas casas foram invadidas pela água na Avenida Rio Pequeno, no Rio Pequeno, e na Rua Doutor Ulpiano da Costa Manso, no Jardim Peri-Peri, bairros vizinhos, na região do Butantã. Ainda na mesma região, outro ponto de alagamento deixa intransitável o fluxo de veículos na Rua Alvarenga, em frente ao portão 1 da Universidade de São Paulo.

A Avenida Professor Abraão de Moraes está intransitável junto ao Viaduto Aliomar Baleeiro, em ambos os sentidos, em razão do transbordamento do córrego Ipiranga. Alagamento também na Avenida 23 de Maio, sentido, sob Viaduto Euclides Figueiredo, na zona sul. Por motivo de segurança, a avenida foi bloqueada pela CET e o trânsito é desviado ara a Avenida Pedro Álvares Cabral e para o Túnel Ayrton Senna.

Também há alagamento na avenida Roque Petroni Júnior, no cruzamento com a avenida Chafik Maluf; na avenida Vicente Rao junto à Avenida Washington Luiz e na Avenida dos Bandeirantes, sentido Imigrantes, junto à Rua Antônio de Macedo Soares, na zona sul.

A esquina da Rua Sena Madureira com a Avenida Ascendino Reis, na zona sul, também está intransitável. A água bloqueou o trânsito no cruzamento entre as avenidas Rebouças e Brasil, na região sudoeste; na Rua Ribeiro Lacerda com a Praça Leonor Kaupa, no Jardim da Saúde, zona sul; na Avenida De Penedo, no Socorro, zona sul; além do Viaduto Antártica e Avenida Marquês de São Vicente, na região oeste.

Vítimas

O aposentado Roberto de Fazzio, de 75 anos, morreu soterrado em um desabamento na Rua Rifaina, na Pompeia, zona oeste. A terra de um barranco próximo deslizou com as águas da chuva e derrubou a casa da vítima, perto das 2 horas. Por volta das 4 horas, o corpo do aposentado foi retirado do local por equipes do Corpo de Bombeiros.

Um outro desabamento deixou seis vítimas na região do Grajaú, zona sul. Uma casa caiu sobre a outra na Rua Rio Icatu. Três adultos e três crianças foram soterrados. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 3h20 e enviou nove viaturas ao local.

Conforme informações da corporação, uma mulher e uma criança já foram retiradas dos escombros com vida e encaminhadas ao pronto-socorro do Grajaú. As outras duas crianças já foram localizadas pelos bombeiros: uma visualmente e outra pelo choro. Dois adultos seguem desaparecidos.

Também foi registrado o desabamento de um barranco nas proximidades do número 2.000 da Avenida Sumaré, na região de Perdizes, zona oeste. A terra atingiu o trailer onde mora o caseiro José Pereira de Oliveira de 58 anos. Ele dormia no momento do acidente, pouco depois das 3 horas.

Oliveira acordou com o estrondo do deslizamento e conseguiu deixar o trailer pela parte de trás. Ele sofreu apenas pequenas escoriações nas mãos. "Eu vivi de novo. Dou graças a Deus que eu e o meu cachorro, o Mailon, estamos vivos", disse o caseiro.

Oliveira mora no trailer instalado no local há quatro anos e afirma nunca ter enfrentado problemas com a chuva. "Eu não esperava isso (o deslizamento). Meu documentos e tudo o que eu tenho está lá dentro. Nem sei direito o que eu perdi de vez. Mas mesmo assim acho que tive sorte de escapar", avaliou.

Grande ABC

A chuva também deu muito trabalho para os bombeiros na maioria das cidades do Grande ABC. Até as 3h45, não havia registro de deslizamentos com vítimas, mas muitas pessoas ligaram para o 193 solicitando auxílio por estarem ilhadas em suas casas. Foram pelo menos 10 regiões, entre elas: Vila Pauliceia e 31 de Março, em São Bernardo do Campo; Piraporinha, em Diadema, e bairro da Fundação, em São Caetano do Sul.

Estradas

Quem seguia em direção à capital paulista pela Rodovia Régis Bittencourt encontrava às 2h45 um ponto de alagamento no quilômetro 283, em Itapecerica da Serra, Grande São Paulo, por onde apenas ônibus e caminhões passavam. Congestionamento de pelo menos 1,5 mil metros.

No quilômetro 272, em Taboão da Serra, cidade vizinha, os veículos trafegavam apenas por uma faixa, mas não há mais lentidão.


Jornal O Estado de S. Paulo de 21 de janeiro de 2010 (Há 174 dias sob censura)

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