CPI na Câmara Municipal investiga o vapor de combustível que sai das aeronaves durante os pousos e decolagens no Aeroporto de Congonhas, prejudicando os moradores dos bairros próximos.
Décio Viotto - 14/12/2009 - 20h50
Paulo Pampolin/Hype - 19/01/2009
Avião decola do Aeroporto de Congonhas: além do barulho, moradores sofrem com o combustível exaladoUma chuva com hora marcada cai todos os dias em São Paulo. Ela começa quando a primeira aeronave entra em operação no Aeroporto de Congonhas, na zona sul, e termina com o pouso do último avião. A chamada "chuva de querosene" ocorre desde que o motor a jato passou a ser utilizado, ainda na década de 1950.
O jato comercial pioneiro foi o De Havilland Comet, introduzido na aviação em 1952. Mas foi o Boeing-707, apresentado na mesma época, o primeiro a ter sucesso comercial. No entanto, somente este ano, durante as atividades da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Danos Ambientais, na Câmara Municipal, o problema citado acima, que aflige há tanto tempo os moradores no entorno de Congonhas, foi oficialmente reconhecido.
"Quando fiz a denúncia, os vereadores acharam que era mentira e a Infraero dizia que era uma bobagem minha", afirma Nelson Luiz Piva, presidente da Associação dos Moradores da Vila Noca e Jardim Ceci. Sua entidade conta com o apoio do movimento Defenda São Paulo, que reúne 176 associações. Porém, o tema apenas mereceu seriedade na CPI depois que o Comandante Camacho, secretário de Segurança de Vôo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, confirmou a gravidade da denúncia.
"É um escândalo", afirma o vereador José Luiz de França Penna (PV), 63 anos, membro da CPI. O relatório final da comissão, que será apresentado hoje, vai pedir providências junto à Infraero, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Ministério Público Federal e Estadual e Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.
Paulo Pampolin/Hype - 19/01/2009
Problema com o querosene das aeronaves em Congonhas começou na década de 1950. Cerca de 50 mil moradores são afetados diretamente com a situação.Fósforo – "Não podemos permitir que os espaços entre a Anac e a Infraero criem uma superexposição de poderes para não combater nada", afirma Penna. Segundo ele, a situação é tão perigosa que os moradores não arriscam acender fósforo ou isqueiro nos jardins ou nas entradas de suas residências. Pelos cálculos de Piva, cerca de 50 mil moradores são afetados diretamente com o problema.
"As casas ficam com o solo engordurado, como se fosse óleo", conta Piva. Camacho explica que, na verdade, a substância lançada no ar é o vapor do querosene – e não o combustível em si – não queimado pelo motor. É pior na decolagem do que no pouso.
Situação crítica – A quantidade de combustível prejudicial ainda é desconhecida, mas, pelo número de pousos e decolagens – 34 voos por hora –, pode-se avaliar o perigo. Camacho revela que o relatório de impacto ambiental descreveu Congonhas "sem conformidade", o que, em bom português, significa "situação extremamente crítica".
Talvez por isso, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, ao apresentar o Estudo de Impacto Ambiental e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima), tenha dado um prazo de dois anos para que o problema seja resolvido.
Milton Mansilha/Luz - 06/09/2008
Querosene responde por 8,8% da poluição dos combustíveis."Não deixa de ser constrangedor dar um licenciamento ambiental depois de 60 anos de seu funcionamento", afirma Piva. Mas agora é lei e o prazo vence no dia 1º de dezembro de 2011. Se até lá nada for feito, todos terão direito de recorrer à Justiça.
"Será uma enxurrada (de ações)", prevê Piva. Embora a poluição provocada pelo avião seja pequena – entre 5% a 6%, se comparada aos 20% dos transportes terrestres –, a União Européia está debruçada sobre o assunto.
Barulho – Nesse sentido, uma comissão analisa medidas para serem tomadas nos próximos dez anos, cujo objetivo é reduzir os danos ambientais – leia-se também poluição sonora – provocados pelas aeronaves. Entre as propostas já reunidas no documento "New Sources of Financing for Development: A Review of Options", estão a redução das emissões de óxido nitroso em 80% e o estabelecimento de um sistema comum de relatórios do total da liberação de CO2.
Emissões – De acordo com as previsões, as emissões de gases estufa de aviões e aeronaves vão dobrar até 2030, mesmo se as companhias aéreas investirem em combustíveis mais eficientes. A previsão é que chegue, no total, a 18 milhões de toneladas. Um avião gasta 60 mil litros de combustível num vôo de 12 horas, o equivalente ao uso de um automóvel por 50 anos.
Apenas um voo desses produz 140 toneladas de gás carbônico, o principal responsável pelo aquecimento da Terra. O avião produz ainda 750 quilos de outro gás, o óxido de nitrogênio. Despejado a 10 mil metros de altitude, esse gás provoca reações químicas na atmosfera que contribuem para esquentar o planeta.


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