quarta-feira, 16 de junho de 2010

São Paulo parou para o Brasil jogar


Foi um dia atípico na maior metrópole da América do Sul. De repente, tudo parou. Deserta, a cidade entrou em silêncio profundo. Só explodiu quando Maicon fez o primeiro gol da Seleção.
Ivan Ventura - 15/6/2010

No Largo do Café, junto ao edifício da Bolsa de Valores de São Paulo, em pleno Centro Velho da cidade, o músico de rua toca sua flauta transversal. Os paulistanos abandonaram as ruas para ver a vitória da Seleção.Um estranho fenômeno foi notado ontem, em São Paulo, entre 15h30 e 17h30. Durante essas duas horas, os veículos que minutos antes amargavam um congestionamento de quase 200 quilômetros, praticamente desapareceram das marginais Tietê e Pinheiros, da avenida 23 de Maio e da área mais central da cidade. E não apenas os carros. Os paulistanos também sumiram. A sempre apinhada rua 25 de Março virou um deserto. Nem camelô havia.

Metrópole vazia
Mas, afinal, para onde foi tanta gente? A resposta, óbvia, não deixava de surpreender. Não é sempre que se vê uma metrópole vazia. A grande maioria dos paulistanos foi para casa ver a estreia da Seleção Brasileira na Copa da África. Parte ficou no Centro, em bares e restaurantes, e um grupo considerável foi ver a vitória por 2 a 1 contra a Coreia do Norte no telão do Anhangabaú.

A rigor, foi uma terça-feira atípica na cidade. O dia começou cedo. Os bancos, por exemplo, abriram suas portas às 8h e encerram o atendimento às 14h. Comércio, empresas em geral, escolas e repartições públicas adaptaram seus horários em função do futebol. Por toda parte, muita pressa.


Agliberto Lima/DC
No Vale do Anhangabaú, uma providencial ajuda da padroeira.Lá pelas 13h, mais tensão. Dos prédios do Centro muita gente começou a deixar o trabalho rumo a suas casas ou a algum outro programa com amigos. Às 13h30 a pressa virou frenesi e a cidade experimentou um congestionamento-monstro que durou até minutos antes do jogo, às 15h30. Na contramão dos horários de pico, a marginal Tietê, às 14h50, ficou tomada por carros, caminhões, motos e ônibus.

Congestionamento
Na 23 de Maio, próximo ao viaduto Tutóia, às 13h13, era difícil encontrar um espaço vazio em meio a tantos veículos. Os congestionamentos foram crescendo. Por volta das 15h a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 199 quilômetros de lentidão. Nas rádios, relatos de acidentes provocados pela pressa. De fato, a tensão era exagerada. As buzinas assumiram, então, o papel das vuvuzelas.

Na 25 de Março, outro um exemplo de dia atípico: por volta do meio-dia, as cornetas soavam ensurdecedoras por toda a rua de comércio popular. Mas tudo isso mudou após o início da partida. Às 15h30, apenas uns poucos catadores de papelão, policiais militares e meia dúzia de camelôs, se tanto, que tentavam, em vão, vender suas últimas vuvuzelas. De tão vazia, um PM gritou para um camelô: "A loja fechou para você. Vai começar o jogo". O próximo adversário do Brasil será a Costa do Marfim, no domingo, às 15h30. O terceiro jogo será sexta-feira, dia 25, às 11h, contra a seleção portuguesa.

Diário do Comércio

Nenhum comentário:

Postar um comentário