segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Em 114 km de ruas, um buraco a cada 400 m



Em 114 km de ruas, um buraco a cada 400 m
Município congelou verba destinada ao recapeamento de vias em 2009; janeiro mais chuvoso fez o caminho do paulistano ficar mais complicado
Felipe Oda e Naiana Oscar, JORNAL DA TARDE


Se o primeiro efeito das fortes chuvas de janeiro foram os alagamentos, quando as águas baixam os paulistanos encaram outro problema: os buracos. As ruas de São Paulo se tornaram tão vulneráveis que, num trajeto de meia hora, os motoristas podem ser surpreendidos por 30 buracos em alguns trechos da cidade, ou um a cada minuto, como atestou a reportagem na semana passada, ao percorrer 114 quilômetros em todas as regiões da capital. No total, foram vistos 288 buracos - incluindo verdadeiras crateras -, um a cada 400 metros. Com velocidade média de 25 km/h, chega-se a um buraco por minuto.O asfalto sucumbiu à chuva e à falta de manutenção. A Prefeitura diz fechar cerca de 2 mil buracos por dia. E faz mutirões no período das chuvas - sábado retrasado, foram 2,5 mil. Mesmo assim, é insuficiente. A verba de recapeamento foi congelada em outubro e o próprio Município admite que mais buracos surgiram. Os alagamentos pioram a situação, pois impedem que o serviço seja feito na mesma velocidade.Os borracheiros agradecem. Na zona norte, quatro buracos persistem, estrategicamente, em frente à borracharia de seu Nicolino. Há 11 anos no negócio, o borracheiro desenvolveu uma "memória" curiosa. Conhece as rodas que conserta pelo local do buraco. "Nunca peguei uma roda por causa do buraco aqui da frente", garante. Consertar roda amassada custa R$ 50 e pneu cortado, R$ 30. Nos 17 mil km de ruas da capital, os buracos surgem em bairros nobres e na periferia. Nos Jardins, costumam ser fechados com mais agilidade, mas o problema não chega a ser solucionado. Na esquina das Ruas Augusta e Estados Unidos, o asfalto colocado há um mês voltou a ceder. No Morumbi, o frentista Valmiro Barreto conta 15 pneus cortados por semana no persistente buraco próximo do posto de combustível. "É a quinta vez que ele aparece."Nos bairros distantes, os buracos se multiplicam. Morador da Rua Sebastião Muniz de Souza, no M"Boi Mirim, o comerciante Ferdinando Matos pede desde dezembro solução da subprefeitura, que alegou falta de asfalto e atraso na obra, por causa da chuva. "Cobrimos com entulho, por conta própria. Já gastei R$ 400 para trocar o amortecedor do carro. Não dá mais."Uma rua da zona sul, rota alternativa para os motoristas da Avenida João Dias, coleciona buracos. Em 600 metros, a reportagem contou 20 buracos. O aposentado João Alves, de 69 anos, percorre a Rua Vitalina Grassman diariamente numa "velocidade quase parando" para não ter problemas e, mesmo assim, quebrou o para-choque de sua Parati. "Aqui, você pisca e vai parar num buraco", esbraveja. Ali, e na cidade inteira.


Jornal O Estado de S. Paulo de 1 de fecereiro de 2010 (Há 185 dias sob censura)

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