quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Obra de arte que mantém urubus em cativeiro na Bienal irrita internautas

Obra de arte que mantém urubus em cativeiro na Bienal irrita internautas
Abaixo-assinado que circula na internet pede proibição à obra de Nuno Ramos.
Artista garante que animais 'estão acostumados' e não sofrerão maus tratos



Urubus confinados na instalação 'Bandeira branca', de Nuno Ramos, montanda no prédio da Bienal de

São Paulo (Foto: Daigo Oliva/G1)
Diego Assis


Do G1, em São Paulo

Primeiro, o ataque aos presidentes. Depois, a propaganda para a candidata. Agora, o bem-estar dos urubus. Mal abriu suas portas ao público - o que só ocorre neste sábado (25) -, a 29ª Bienal de São Paulo já acumula polêmicas. A controvérsia da vez recai sobre uma obra que mantém três urubus vivos dentro de um viveiro no vão central do prédio da Bienal.

Idealizada pelo artista plástico paulistano Nuno Ramos, a instalação batizada de "Bandeira branca" é composta por três grandes esculturas em formas geométricas, que lembram grandes túmulos. As peças são cercadas por uma tela de proteção que acompanha, de alto a baixo, a rampa e as curvas do prédio projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. No alto de cada uma delas, há poleiros que se parecem com chaminés, de onde as aves raramente saem e onde devem permanecer até 12 de dezembro.

O confinamento em nome da arte vem irritando internautas e grupos de defensores dos animais que, desde a noite de terça-feira - quando a Bienal abriu pela primeira vez para convidados - lançaram um abaixo-assinado contra a presença da obra na exposição.

"Exijimos que o 'expositor' da Bienal do Ibirapuera, cujo 'trabalho' envolve maus tratos com aves vivas - urubus, mais especificamente, protegidas por leis brasileiras, - seja impedido de praticar crime ambiental dentro destas instalações e que as aves das quais ele se utiliza sejam encaminhadas a entidades de proteção animal, para recuperação", diz um trecho do texto do abaixo-assinado, dirigido ao Ministério Público de São Paulo.

Até a conclusão desta reportagem, a carta de repúdio, que estava sendo divulgada em redes sociais como Twitter e Facebook, continha mais de 1.400 assinaturas.

"Isso é democracia, e a gente tem de lidar com todas as opiniões e visões. Mas a primeira coisa que se tem de fazer antes de criticar é ver a obra, não acreditar em boatos", defendeu Nuno Ramos, em entrevista por telefone ao G1. "Antes de a obra estrear já havia uma quantidade de informação maluca na internet, fazendo confusões e sugerindo que eu ia matar os animais de inanição, como fez um outro artista latino-americano recentemente."


Visão de cima da obra 'Bandeira branca', que mantém urubus confinados em um viveiro no vão central da Bienal. 'Quando pensei na ocupação desse espaço vertical, pensei em aves. E os urubus têm essa carga intensa, essa relação entre morte e vida que tem a ver com o trabalho', explica Ramos. Para o artista, sua obra valoriza o projeto de Niemeyer, que considera 'um dos momentos mais bonitos da nossa arquitetura'. 'Apesar de mimetizar as formas desse vão, minha obra também contrasta com ele, deixando mais explícita a volumetria daquele lugar. Não é só o meu trabalho, mas a relação dele com o prédio que conta', explica. (Foto: Daigo Oliva/G1)

Segundo Ramos, tudo está sendo feito "dentro da legislação". "É importante deixar claro que não tiramos os animais da natureza. Os urubus pertencem ao Parque dos Falcões [em Sergipe], onde vivem em cativeiro. Só tirei de uma gaiola e pus em outra 30 vezes maior", defende o autor da obra. "Trouxe para São Paulo a mesma pessoa que trata deles lá [no Parque dos Falcões], e ele está aqui o tempo todo. O veterinário também veio com eles, ficou quatro dias para adaptação e foi embora. Mas ao menor sinal [de problema], a gente vai atuar."

Bem à vontade
Quanto ao possível estresse que as aves possam sofrer por conta das luzes artificiais e do ruído vindo dos visitantes, da própria obra (que inclui alto-falantes que tocam trechos das canções "Bandeira branca", "Carcará" e "Acalanto") e de outros trabalhos sonoros instalados na Bienal, o artista diz que os urubus não se incomodarão. "Eles parecem até mais calmos que os visitantes", ironiza. "A luz desliga às sete horas, e a exposição fica fechada 14 horas por dia."

Ramos lembra ainda que as aves são as mesmas que expôs em 2008, em uma instalação semelhante montada no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília. "Elas estão acostumadas com o público. Já participaram de uma exposição minha em Brasília e, segundo um tratador que ficava lá, chegaram até a acasalar dentro da obra."

Em nota divulgada à imprensa, os organizadores da 29ª Bienal confirmaram que "o autor da obra possui todas as licenças exigidas pelos órgãos de preservação ambiental para o uso desses animais" e ressaltaram "que a independência curatorial e a liberdade de criação, dentro dos contornos estabelecidos pela lei, são valores fundamentais da entidade".

Tombamento do complexo hospitalar da Santa Casa de SP é concluído

Carlos Cecconello/Folhapress

Corredores da Santa Casa de Misericórdia; Condephaat conclui tombamento do complexo hospitalar no centro de SP
Tombamento do complexo hospitalar da Santa Casa de SP é concluído

LETICIA DE CASTRODE SÃO PAULO

Em estudo desde 1984, o tombamento do complexo hospitalar da Santa Casa de Misericórdia, erguido em 1884 na rua Cesário Mota Jr. (região central de São Paulo), foi finalmente concluído pelo Condephaat (órgão estadual que cuida do patrimônio histórico e artístico).

O despacho, publicado no "Diário Oficial" de ontem, detalha o grau de proteção de cada parte específica do complexo, que estava tombado desde 2007.
"Sempre tivemos interesse em manter as características originais. O tombamento oficializa essa necessidade de preservação", afirma o diretor de engenharia da instituição, Manoel Lopes da Silva, que deu entrada no processo de tombamento no Condephaat.

Corredores da Santa Casa de Misericórdia; Condephaat conclui tombamento do complexo hospitalar no centro de SP
FALTAM RECURSOS

As iniciativas da Santa Casa para preservar o prédio, no entanto, esbarram na falta de recursos para bancar as obras.
Um projeto de restauro de todas as fachadas, orçado em R$ 6 milhões, está pronto e engavetado desde o ano passado, aguardando recursos para ser executado.Por enquanto, apenas o ambulatório Conde Lara passou pela reforma, que custou mais de R$ 1 milhão.
"Estamos tentando parcerias com a iniciativa privada. O tombamento pode ajudar nesse sentido", afirmou Lopes da Silva.
Outra reforma que ainda não saiu do papel é a readequação das enfermarias. Dos seis andares que precisam ser reformados, a um custo estimado de R$ 14 milhões, apenas um recebeu intervenções até agora.

ATENDIMENTOS

Projetado por Luiz Pucci em estilo gótico, o complexo hospitalar da Santa Casa é uma instituição privada que atende pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde).No ano passado, a unidade realizou 378 mil atendimentos ambulatoriais, 299 mil emergenciais, 2.120 cirurgias e mais de 1,4 milhão de exames.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Por mobilidade, ONGs reivindicam 500 km de ciclovias em SP

Por mobilidade, ONGs reivindicam 500 km de ciclovias em SP

Entidades lançam Plano Municipal de Transporte e Mobilidade Sustentável.
Também pedem ampliação de corredores de ônibus e calçadas amigáveis.
Do G1 SP

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Carro, moto, bicicleta, pedestre e helicóptero disputam desafio em SP

Organizações não governamentais e sindicatos integrantes do Movimento Nossa São Paulo vão propor à Prefeitura de São Paulo e ao governo do estado a criação de 500 km de ciclovias na cidade. Essa é uma das ideias contidas no Plano Municipal de Transporte e Mobilidade Sustentável que as entidades vão apresentar durante encontro realizado nesta segunda-feira (20), na Câmara Municipal.

O evento faz parte da programação da Semana da Mobilidade, que vai de 16 a 22 de setembro, quando é comemorado o Dia Mundial Sem Carro. Também serão propostas a ampliação de corredores de ônibus integrados à rede de metrô e a adequação das calçadas aos pedestres e cadeirantes.

O documento que será apresentado é resultado de consulta à legislação e a planos já existentes, a especialistas da área e a moradores de São Paulo - em encontros na periferia e pesquisas de percepção com a população.

sábado, 18 de setembro de 2010

Artistas e moradores saem em defesa de parque de SP

Artistas e moradores saem em defesa de parque de SP

Prefeitura planejava construir um túnel sob o parque

...A Amapar (Associação dos Moradores Amigos do Parque Previdência), no Butantã, com ajuda de intelectuais e músicos que moram na região, promove a partir deste sábado (18) até o dia 26 eventos em comemoração ao aniversário de 31 anos do parque, localizado entre a rodovia Raposo Tavares e a avenida Eliseu de Almeida, na zona oeste da capital paulista. A ocasião também servirá como um ato de defesa da área de cerca de seis hectares de Mata Atlântica, o equivalente a seis campos de futebol, contra o avanço desordenado do setor imobiliário.

A Prefeitura de São Paulo planejava construir um túnel sob o parque para interligar a avenida Eliseu de Almeida com a Corifeu de Azevedo Marques. A obra, porém, destruiria parte da área. Chegou a anunciar a desistência do projeto no início de setembro, mas ainda não a de uma avenida. O túnel passaria sob o Parque da Previdência e sobre a Praça Elis Regina desembocando na Escola Municipal Amorim Lima.

O movimento afirma que, se realizada, a obra iria na contramão do que se pratica hoje no mundo "e traz, segundo o primeiro estudo de impacto ambiental, um risco a sua vegetação e rede hídrica e, portanto, comprometendo a sua existência e causando grande deterioração ao entorno". Transformado em parque municipal no fim da década de 70, o parque Previdência é um fragmento de Mata Atlântica e recebe cerca de 700 pessoas durante o final de semana.

Nesta tarde, a partir das 15h, terá início um show de música popular com Ná Ozetti, José Miguel Wisnik, Luiz Tatit, Vange Milliet e banda Odegrau no gramado ao lado da administração do parque. Neste domingo (19), das 14h às 16h, ocorre os eventos Dança Circular e Rodas de Estórias. E de terça-feira (21) até o dia 26, a programação oferece oficinas de artes plásticas, plantio de novas mudas de espécimes da Mata Atlântica, entre outras atividades culturais e ambientais.

Ressonância
O músico José Miguel Wisnik, que mora há 38 anos à beira do parque, alerta que a expansão dos interesses imobiliários deve respeitar a riqueza natural do lugar.

– O que esse evento evidencia é que a população do bairro, com artistas que moram aqui e pessoas com várias atividades ligadas à cultura, está se mobilizando. E a música entra nisso, pois é a linguagem que tem uma grande capacidade de agregar. O som tem esse poder.

Ele também é autor do livro Som e o Sentido: Uma outra história das músicas, que relata como o homem vem usando o som ao longo do tempo e, sob essa perspectiva, a história da própria música.

– Curiosamente, um livro todo escrito à beira do parque.

Para Wisnik, "de fato há ressonância da música das pessoas que moram no bairro com o parque, o jardim, a região, a cidade e o mundo".

– E vamos em escalas como numa série harmônica. Sabemos que essas batalhas fazem parte de uma batalha global, em analogia ao som, com ressonância maior.

Fonte: R-7

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Metrô de SP define áreas de desapropriação na região do Morumbi


Marcelo Justo/Folhapress

Avenida Washington Luís deve ter desapropriação para contrução de nova linha do metrô, em São Paulo


Metrô de SP define áreas de desapropriação na região do Morumbi

JOSÉ BENEDITO DA SILVA
DE SÃO PAULO

Áreas ao lado da marginal Pinheiros, no entorno do aeroporto de Congonhas e nas proximidades do estádio e do cemitério do Morumbi terão imóveis desapropriados para a implantação da linha 17-ouro do metrô paulistano.

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A definição das oito áreas está no edital do pregão que o Metrô fará no dia 24 para definir a empresa que vai elaborar os laudos de avaliação.

Segundo o edital, a avaliação dos imóveis "permitirá o conhecimento macro de seus valores de mercado", necessários à decretação de utilidade pública. A vistoria será da rua, mas cada imóvel terá ficha individual, com dados que permitam aferir o valor.

Segundo a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio), na região da marginal Pinheiros, com duas áreas incluídas na lista, o valor do terreno vai de R$ 4.000 a R$ 5.000 o metro quadrado. Também são valorizadas as regiões no entorno do aeroporto e do estádio.

O Metrô espera gastar R$ 185 milhões para desapropriar até 132 mil m2 --área de 18 campos de futebol--, o que dá, em média, R$ 1.400 por metro quadrado.

De acordo com estudo feito a pedido do Metrô, 19,5% das desapropriações deverão ser de imóveis residenciais de alto padrão e 7,6% de residenciais de padrão médio --42,2% dos imóveis são terrenos ou estão desocupados.

O Metrô diz que só após a conclusão do projeto básico é que serão definidos o exato traçado da linha e os imóveis que serão desapropriados.

MONOTRILHO

A empresa disse ainda que "não há como fazer metrô em São Paulo sem fazer desapropriações", mas que "trabalha para minimizá-las". O sistema da linha 17 será em forma de monotrilho --trens que trafegam sobre vias elevadas-, o que diminui a necessidade de desapropriação.

A linha, de 21,6 km, vai ligar Congonhas ao Morumbi (zona oeste) e ao Jabaquara (zona sul) e integrar o aeroporto à rede sobre trilhos.

As desapropriações visam áreas para as futuras estações, como a de Congonhas, que deve ficar às margens da avenida Washington Luís. Também para estações haverá desapropriações ao lado da marginal Pinheiros.

Fonte: Folha de SP